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REFLEXÕES DE UMA NOITE FRIA
A ausência dolorida,
O desencontro –
Prenúncio de despedida
(restou o escombro)
Serei só ou só serei
A espera, a esperança
Do que nunca cheguei a ser?
(quem espera sempre alcança?)
Carrego nestes ombros
O estoque da ilusão
Desarrumado em meio às sombras
(se o sol sair, aquece o coração?)
Inverno – intransitivo, infinito,
Me fez objeto direto
Do que sonhei mas não foi dito
(não devo ter sonhado certo!)
Aniversário da Maria Célia
29 de novembro é aniversário de minha irmã Maria Célia. Professora, poetisa, guerreira, mãe, irmã, foi a primeira da família a entrar no mundo virtual. Que Deus a abençoe sempre, maninha, que você seja muito feliz, e que receba muito amor em troca de tanta sensibilidade, talento e beleza.
Para quem não conhece, um poema dela que está no seu site : www.maricell.com.br:
Um ponto .
Convergência de um encontro
Casual
.
Nós dois...
Interrogações... (Muitas...)
Exclamações... (Tantas!...)
Frases,dois pontos, travessões, parágrafos...
Inúmeras reticências...
Diálogos...
Monólogos...
Silêncio...
Depois....
Depois um ponto final.
Final de um encontro.
O ponto
Que foi convergência
Agora é divergência
Quase banal.
Mas... Afinal...
Que é um ponto final?
Senão o findar de um pensamento
Que a qualquer momento
Pode mudar de linha
E recomeçar?
Um ponto.
Convergência
De um reencontro
Virtual.
(Maricell em final de julho/2003)

IMPRESSÕES
sonho certezas
acordo dúvidas
transmuto o real
te insiro no meu cenário
tateio a tela:
tudo tão igual
(ao que nunca tive)
te toco
mas não te sinto
te pressinto
todavia
transformado
em labirinto.
PARALELOGRAMA
Sou uma e sou a outra
Uma diz sim, a outra é contra
Uma aceita, redime, perdoa
A outra nega, condena, amaldiçoa
Uma retrata, revela e vela
A outra destrata, fere e se rebela
Uma chora e se diz feliz
A outra ri do seu contrário
Uma quer salvar a outra
Que não aceita nenhuma
Caminham de mãos dadas
Por rotas paralelas
Não se encontram, não se alcançam
Fico olhando para elas
- tão iguais, tão desiguais –
Mas não vejo a felicidade
Em nenhuma delas.
MENDICÂNCIA
Atravessou a rua
Trôpega, bêbada,
Atrapalhou-se no cruzamento
Da saudade com o amor.
Transitou pela calçada
Trêmula, tateando
Tudo, num torpor
De querer e não ter.
Trocou o caminho
Triste da saudade
Pela travessa do Talvez,
Tentando, mais uma vez,
Tornar-se tênue
Quimera, traço efêmero,
Mero traduzir-se
Em troca de uns trocados
De amor.
GÊNESIS
(poema a quatro mãos)
Que se faça uma ponte entre minhas palavras sufocadas e o teu silêncio.
Que este hiato pelo qual transito, trôpega, se transforme em passarela
para que minhas palavras desfilem em teu olhos e te cheguem leves.
Que o seu eco ultrapasse as tuas barreiras e quebrem a geleira interna
na qual te envolves e onde me perco no ir e voltar, alma adentro.
Que se faça uma ponte entre os nosso olhos:
que ela tenha sabedoria para conduzir olhares perdidos, distraídos, quase desiludidos.
Que ela traga fogo, fagulhas... e avermelhe nossos olhos, nosso coração,
para que esta condição indigente de minhas palavras encontrem
-mesmo em teu silencio - uma candura no olhar,
um sorriso esboçado, um muito do pouco que te permites dar.
Que se faça uma ponte entre minhas mãos que buscam as tuas
e que ela tenha a medida exata deste encontro.
Que as palavras se reconheçam quando se encontrarem.
Que esta rigidez se quebre e desabe sobre as flores que nascerão sobre a ponte.
Que haja sinos, sons, tons e a tradução exata do que busco
- porque busco pouco, um quase nada!
-Neusa e Angela(Lira)