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VALENTIM, NOSSO PAI!

 

O chapéu lhe conferia um ar distinto. A música era sua paixão.

Dois símbolos do Valentim, nosso pai: A dignidade que era guardada sob o chapéu e a música que sempre morou em seu coração.

Ensinou-nos com seu exemplo o valor do caráter, o não se vender por preço algum, o superar obstáculos, o amor ao próximo, principalmente aos menos favorecidos, a importância do conhecimento e da cultura, o amor às palavras, aos livros, à música.

Em nossa casa tudo era música: o rádio tinha seu lugar de destaque na sala. Ali ouvíamos os discos de vinil recém lançados pelas gravadoras; ali ouvíamos as notícias do cotidiano e as extraordinárias: a morte de John Kennedy, a renúncia de Jânio, a revolução de 64. Tínhamos, também, os grupos que iam cantar em casa: as serestas feitas na sala, as serestas feitas sob a janela das filhas.

Em nossa casa tudo era amor: a chegada do pai após cada viagem à capital, trazendo os chocolates ansiosamente aguardados; a preocupação com cada uma das oito filhas, mulheres cuidadosamente protegidas; a adoção de dois bebês que se tornaram irmãos de coração no amor da família.

Em nossa casa tudo era conhecimento: a leitura de inúmeros livros, jornais, revistas; o acompanhamento e as discussões da política regional, nacional e mundial.

Em nossa casa tudo era arte: aprendíamos com o pai os segredos da fotografia, do teatro, do rádio amador, do rádio-notícia, do rádio-música. O cinema, paixão da família, era programa de final de semana e também de dias úteis.

Em nossa casa tudo era grande: a casa, o quintal, a família, os abraços, as camas, o amor!

Em nossa casa tudo ficou triste quando ele partiu: não tivemos os chocolates da volta e não tivemos a volta do pai.

Em nossa casa tudo ficou saudade!

 

(Em homenagem ao nosso pai Valentim que faria 91 anos em 01/04/05)



- Postado por: Neusa às 21:59:56
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Teceu a vida de seu jeito:

Sina cabocla, homem valente.

Valentim da viola,

Da vida sem medos

Vivida sem gaiolas.

Valentim das vitórias

Sobre as desventuras,

Das aventuras de tanto amor.

Sua paixão pela vida,

Sua crença desmedida.

 

Era um pai,

Como são todos os pais.

Éramos filhos

Como são todos os filhos.

Riso, siso, conflitos,

Festas, formaturas, natais,

Festivais, teatros e dança.

Esta foi nossa herança:

A arte como legado

De um homem

Culto, apaixonado:

Nosso pai!

 

(Neusa e Angela - 01/04/05)



- Postado por: Neusa às 21:59:31
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DOIDO E DOÍDO

 

O homem doido vindo pela calçada,

O olhar doído de quem não tem nada,

As mãos vazias de toda esperança,

Balançando os braços feito criança.

 

O que você tanto busca, homem doido?

Revira os bolsos e procura, afoito,

A lembrança do que foi, do que ficou

Perdido no passado e não voltou.

 

O homem doido sonhou que já foi gente

Que nem a gente, e não um demente

À procura do passado e da razão.

 

Sonhando assim, doído em solidão,

Conhece mais fundo o mundo e a vida

Do que os sãos (que não vêem a saída). 

 

 

Poema postado em abril/2004 e que se fez tão real novamente na tarde de hoje. 



- Postado por: Neusa às 20:51:50
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EU VOU LHE CONTAR QUE VOCÊ NÃO ME CONHECE.
Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções,
Mas na mentira da aparência do que eu sou e na mentira da aparência do que você é - porque eu não sou meu nome e você não é ninguém.
O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia - que nos separa.
Eu quero que você me veja a mim.
Eu me dispo da notícia, e a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato, tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós.
Assim me livro das palavras com as quais você me veste.


(Texto de Fauzi Arap)

 

 

DESABAFO

 

Uma história amanhecida,

Sabor de fruta passada,

De fita já assistida.

 

Nem eu

Nem você

Nem nós.

Porque

Então

Esse adeus

Tão longo,

Essa partida

Interminável?

 

(Neusa - março de 2005)



- Postado por: Neusa às 19:07:22
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Minha homenagem no dia de hoje a vocês, poetas, que com sua arte fazem com que tenhamos mais esperanças de um futuro melhor.

 

 

 

 

Colho a poesia que brota

dos dedos de todos os poetas:

vou colorindo o mundo,

suavizando a vida...

Espalho a semente pelas frestas

de cada dor, cada guerra,

cada ato de desamor,

na esperança de ver nascer

um novo dia. Sem dor. 



- Postado por: Neusa às 21:09:32
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RIO E TERRA

 

Percebeu que o rio iria transbordar. Nem a secura que se abatera sobre aquela terra impedira o rio de crescer. Impossível determinar a causa, mas o rio subia palmo a palmo.

Sempre fora um riozinho de nada, calmo, contido nas margens duras, seguindo seu curso sem olhar para trás nem desviar-se do caminho traçado. De repente ele quebrou as regras e fez-se dono do seu destino.

A terra seca observava o rio e sentia medo. Se as margens não o contivessem, ele avançaria por sobre ela e não era esse o destino dela nem do rio. Ela nascera para ser seca e ele nascera para ser um simples riozinho contido pelas margens.

Os dias passavam, as horas se atropelavam. A terra acompanhava o misterioso rio e sua transformação. O medo aumentava na proporção que o rio subia, ameaçando superar as margens e os limites sempre definidos. Ao medo, feito golpes de enxada no chão duro, vinha juntar-se a curiosidade de saber como seria deixar de ser terra seca, árida.

Espantava o pensamento doido e doído bem depressa. O destino não podia ser mudado. Era lei: o rio tinha que correr lento em seu próprio leito e ela tinha que ser terra seca, jamais tocada pelo rio.

Ele parecia não perceber o drama da terra. Mostrava-se cada vez mais forte, impetuoso e destemido. E a sorte veio ajudá-lo. Choveu forte lá na sua nascente e o aguaceiro veio correndo até onde o rio queria ser mar e beijar a terra.

Houve susto e medo. O rio transbordou. Ignorando as margens, espalhou-se sobre a terra seca e árida num abraço infinito. A terra chorou ao ser tocada, banhada, sentindo-se invadida pelas águas do rio que penetravam em suas entranhas.

Logo tudo voltou ao seu lugar. O rio retomou seu curso, calmo e manso. A terra, ainda molhada, sentia o gosto da água que ficara em suas entranhas e lentamente se evaporava. Tentou inutilmente reter um pouco daquela umidade que agora lhe fazia bem, que não mais temia.

Foi, então, fazendo-se crescer, esparramando-se até às margens do rio. Debruçou-se nelas e sentiu de novo o gosto da água, o gosto da vida. Brotou ali mesmo, na beira do amado rio, suas primeiras folhas. Aos poucos conseguiu forças para desabrochar a primeira flor.

Hoje os dois se casaram. A cada verão o rio vai banhar a terra que já não é mais seca nem árida. A cada inverno a terra se acerca das margens do rio. E em cada primavera brotam os mais belos lírios do rincão.

 

Neusa - fevereiro/2005



- Postado por: Neusa às 21:26:03
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SOLILÓQUIO

 

Dos olhos que nunca te viram

Brotam saudades dos teus olhos.

As palavras que não te conhecem

Vasculham os teus segredos.

As mãos que jamais te tocam

Tateiam o silêncio dos teus dedos.

Fantasma tartamudo,

Passeio pelos teus sonhos,

Afasto um a um os teus medos...

Mas não me reconheces,

Mesmo dizendo que eu sou

O avesso do teu segredo.



- Postado por: Neusa às 17:37:31
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INCOERÊNCIAS

 

Diz que tranquei a porta.

(Esquece que tem a chave)

Diz que vivo no inverno

Mas não acende a lareira

Me acusa, lavra a sentença,

(Sequer deixa falar a defesa)

Então visto o negro manto

Confesso a não-minha culpa

Recolho-me à antiga cela

Onde o amor é sentinela.

 

(Neusa -  março/2005) 



- Postado por: Neusa às 20:27:09
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