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Amigos leitores, deixo aqui um link para ser aberto. Leiam a carta ao Presidente Lula e assinem o nosso pleito:
http://cartaaopresidente.zip.net/
LINDO E TRISTE BRASIL
Toquinho
Sou nascido aqui nesse país.
Tão gigante, tão franzino,
Seu destino ao deus-dará.
Rios e fontes aos montes
E dunas de areia em beiras de mar.
Tudo aqui é mesmo tão lindo, morena,
Pena que o homem não pensa em cuidar.
A solidão é viver sem ninguém
Em quem poder confiar.
Minha gente é gente desse país.
Povo lindo, chora rindo, canta na Sapucaí.
Entre enredo e passista
Misturam-se médico, artista e gari.
Com muito pouco que temos
Ainda sabemos, sofrendo, cantar e sorrir.
Sou do país do futuro,
Futuro que insiste em não vir por aqui.
Somos muitos e muito podemos fazer.
Vai rolinha, pintassilgo,
Vai andorinha e tiziu.
Nadem golfinhos e peixes
Nas águas dos mares, dos lagos, dos rios.
Quem sabe ainda veremos
O que o Poetinha um dia sonhou mas não viu:
Pátria, minha patriazinha, tadinha,
Lindo e triste Brasil.
(30 de junho de 2005)

Caminhou em meio aos destroços. Tropeçou nas coisas mortas, soterradas, sufocadas.
Tudo era silêncio e tudo era frio. Tudo era escuro e era solidão.
Não entendia o acontecido.
Antes era luz, esperança, certeza. Agora era o nada.
Não esperava aquele terremoto, ninguém espera. Catástrofes acontecem só com outras pessoas.
Em meio aos destroços, algo que brilhava chamou sua atenção. Era vida em meio à morte.
Tomou aquela coisa pequena e frágil nas mãos. Com todo cuidado levou-a ao peito para agasalhar e proteger.
Não iria abandonar o amor ali. Ainda pequeno e frágil, se bem cuidado poderia crescer e se fortalecer.
Foi deixando as ruínas para trás, com o amor nas mãos, procurando um porto seguro para acolhê-lo.
(Neusa - 25/06/2005)

Me perco nas cálidas luas
Que nascem já crescentes
Adormeço em saudades nuas
Banhadas no exausto poente
Choro cada estrela cadente
Derramando o derradeiro brilho –
É quando desperto e retomo o trilho
Que me devolve a você (ausente)!
(Neusa – 08 de junho de 2005)

AUSENCIANDO
Lá da cozinha ouviu a voz do filho, chorosa, chamando-a. Subiu as escadas de dois em dois degraus. O menino, de apenas três anos, deitado na cama, falou: “Mamãe, meu olho não quer acender!”. A conjuntivite colara os cílios grandes do garotinho. A mãe sorriu do modo dele expressar o desconforto.
Hoje, após mais duas ou três conjuntivites, o garotinho é um belo rapaz. Publicitário por formação, determinado nos seus objetivos, carinhoso e ativo participante de todos os problemas e assuntos da família, é uma bela alma também.
Os seus olhos não se apagaram mais. Pelo contrário, sempre enxergavam mais longe e mais profundamente. Até que acenderam tanto num determinado dia, que ultrapassaram o horizonte. E ele contou o que vira. A mãe não sorriu desta vez. Apenas sentiu um travo amargo na boca.
E o filho voou em direção ao que vira além do horizonte. Levou seu olhar doce e verde para contemplar o oceano Pacífico. Acendeu o olho para uma nova terra, um novo continente, uma nova vida.
A mãe chora. Sente saudade do filho amigo e companheiro, cúmplice em tantos segredos, sempre presente em todos os momentos, fossem alegres ou tristes.
Peço a Deus que abençoe você, Fabrício, que os anjos o iluminem e seus sonhos sejam realizados. Estamos aqui torcendo pelo seu sucesso e esperando que esses três anos passem depressa.
Amamos você, meu filho, e apesar da dor da ausência, estamos orgulhosos de sua coragem.
(Neusa – junho de 2005)
Desfiou as horas,
as contas...
Bebeu as dores
às tontas...
Vestiu-se de chuva
e, já pronta,
inundou a solidão
(tão sua, tão solta)
(Neusa – 02/05/2005)